A possibilidade de haver duas vagas abertas, nos próximos dias, no colegiado de nove ministros do Tribunal de Contas da União agita a Câmara dos Deputados e os partidos do “centrão”. Augusto Nardes, ministro que ordinariamente só se aposentaria em 2027, ensaia uma candidatura ao Senado ou mesmo a deputado pelo PP do Rio Grande do Sul. Aroldo Cedraz, por sua vez, pendura as chuteiras e o ábaco, compulsoriamente, logo depois do Carnaval.
No acordão que levou à eleição de Hugo Motta para presidir a Mesa da Câmara, a vaga de Cedraz foi prometida ao PT, que nunca teve um ministro ou ministra do TCU egresso de suas bases. Entretanto, nem a base governista, nem mesmo o deputado mineiro Odair Cunha, petista escolhido para ser sagrado com o cargo, acreditam nas promessas do “centrão”. O União Brasil tem nomes mais fortes dentro da Casa para levarem a vaga de Cedraz no voto. Já a vaga de Nardes, o PP a considera “naturalmente sua” e tem apoios internos suficientes para mantê-lo com um nome saído de suas falanges.
Motta foi aconselhado a não levar a voto a disputa durante o período eleitoral. Ou seja, fazê-lo apenas a partir de novembro. Ao menos dois integrantes do PT deram esse conselho a ele. A lógica de quem advoga a procrastinação é conduzir a disputa pelas duas vagas no TCU para a estratégia de cabala de votos pela reeleição como presidente da Câmara, em fevereiro de 2027, colocando-a no jogo do toma-lá-dá-cá do próprio cargo dele. Como se sabe, o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), padrinho de Hugo Motta, está sem gás e sem voto para disputar de forma competitiva o Senado em seu estado. Caso opte por novo mandato de deputado federal, será inevitável ter Lira batendo chapa com o sucessor pela volta à cadeira de presidente da Câmara. Num cenário como esse, duas vagas no TCU são moeda eleitoral de imenso valor nas mãos de Motta. Uma espécie de bitcoin.