A promessa de distribuição gratuita de canetas emagrecedoras como Mounjaro (tirzepatida) ou Ozempic (semaglutida) nos municípios de todo o país, por meio das redes municipais de saúde e com o uso de emendas parlamentares impositivas feitas ao Orçamento Geral da União será o grande hit da campanha de reeleição de deputados e senadores (e deputados estaduais também, pois o esquema federal de leniência orçamentária se reproduz nos estados). Brechas na legislação de gestão do Orçamento permitem esse drible na isonomia da disputa eleitoral e nas regras de prudência médica no uso de drogas complexas que terminam por se tornarem moda no país.
Em 2026, 32% das emendas parlamentares impositivas (ou seja, que obrigatoriamente serão empenhadas pelo governo federal) terão de ter como destino a área de saúde. Isso dá uma soma total de R$ 21,4 bilhões em recursos para o setor – o que poderia ser uma boa notícia caso o volume de verbas fosse aplicado em políticas públicas genéricas, comuns e de Estado como os programas Farmácia Popular, Brasil Sorridente, Programa Nacional de Vacinação, entre outros. Entretanto, os deputados e senadores podem indicar metade do valor dessas emendas impositivas a que cada gabinete tem direito para gastos livres das prefeituras desde que eles se deem na área de saúde e destinados a cumprir um programa descrito pela própria administração municipal.
Laboratórios que produzem as “milagrosas” canetinhas emagrecedoras, inclusive as genéricas que estão entrando paulatinamente no mercado, e distribuidores dessas novas marcas que são top de vendas no Brasil, o Mounjaro e o Ozempic, passaram a empreender um lobby silencioso com “vossas excelências” para que destinem verbas de emendas a determinados municípios que teriam programas de perda coletiva de peso da população já aprovados e esperando recursos.
A partir daí, a popularíssima distribuição dos medicamentos terminaria bancada por verbas do Orçamento da União com a reversão em simpatia e eventual promessa de votos para o parlamentar que bancou as emendas. No mercado farmacêutico nacional, uma caixa com quatro canetas de tirzepatida (Mounjaro) custa entre R$ 1.400 e R$ 2.400 e de semaglutida (Ozempic) custa entre R$ 700 e R$ 1.300. Esse é o investimento para um mês de uso das canetinhas.