‘É a corrupção, estúpido!’

Entre os estrategistas da pré-campanha de reeleição ecoa o conselho de James Carville a Bill Clinton em 1992: apostar na rigidez das ações anticorrupção. Nos EUA, era "a economia, estúpido"
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Lidas, analisadas e cruzadas todas as pesquisas qualitativas e quantitativas à mão, quer tenham sido encomendadas e pautadas, ou não, pelo governo e pelo PT, assentou-se uma certeza entre os atuais estrategistas da campanha à reeleição do presidente Lula: só uma forte denúncia de corrupção posta no colo do comando político do Palácio do Planalto, verdadeira ou falsa como foram os casos do “mensalão” (2005) e dos “aloprados do PT” (2006), será capaz de alterar significativamente o panorama da eleição presidencial desse ano. O extrato sintético das análises aponta para uma reeleição de Lula, por margem reduzida de votos, ainda em 1º turno ou no 2º turno (como sempre ocorreu nas eleições vencidas pelo PT).

A ideia-força é inculcar no comando da pré-campanha o chavão “é a corrupção, estúpido!”. Ele se impõe para deixar todos sempre alertas com deturpações que se iniciam nas redes sociais e emergem de repente como crise em momentos decisivos – quando se torna mais difícil a reversão de cenários. Em 1992, o consultor político norte-americano James Carville assentou a estratégia vitoriosa do então candidato Bill Clinton num chiste provocativo surgido durante a preparação para um debate. “É a economia, estúpido!”, gritou Carville para um Clinton perplexo.

O ainda governador do Arkansas insistia em polarizar com o presidente George Bush (pai) em temas como Democracia e não-intervenção em questões externas. Em março de 1991, graças à Guerra do Kwait, a popularidade de Bush estava em 90% nos EUA. Em agosto de 1992, depois que Clinton entabulou temas econômicos e puxou o americano médio para que olhasse para dentro de sua própria casa, o presidente George Bush acumulava 64% de avaliação de governo como “ruim” ou “péssimo”.

Assine a Revista Liberta

Tenha acesso ilimitado a todas as edições, com reportagens exclusivas, análises jurídicas e políticas, além de um olhar crítico sobre a história sendo escrita diante dos nossos olhos.

Quero Assinar
Já é assinante? Entrar