A pesquisa publicada na presente edição da revista Liberta é muito interessante, sobretudo porque vai além das perguntas mais comuns, aparentemente simples e diretas, cujo propósito seria obter, agrupar e classificar opiniões sobre temas que, muitas vezes, não são passíveis de abordagens simples e diretas. A investigação em causa é mais rica e ambiciosa porque permite ultrapassar o estrato superficial das opiniões e identificar algumas representações sociais, cujas raízes simbólicas, culturais e intersubjetivas são mais profundas. Essas representações se organizam em cosmologias latentes e se manifestam pela adesão a valores ideológicos nem sempre conscientes e perceptíveis. Os afetos correm nas veias abertas desse emaranhado invisível. A teia é complexa e dificilmente poderia ser objeto de pesquisa de opinião no estilo tradicional. No caso em pauta, a sensibilidade dos pesquisadores nos proporciona acesso a alguns postos de observação privilegiados para ver e ouvir além -ou aquém.
A unidade “Justiça e Punição” inclui três conjuntos temáticos: (I) Crime, castigo, impunidade, culpa e inocência; (II) Causas de indignação; (III) Avaliação da gravidade de situações absurdas.