João Campos cogita seguir na Prefeitura do Recife

Prefeito experimenta perda de popularidade nos últimos meses em razão de denúncias e por causa de desarranjos partidários
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Até há seis meses a campanha do prefeito do Recife, João Campos (PSB), parecia navegar em céu de brigadeiro e mar de almirante em direção ao governo do estado de Pernambuco. A vitória era “pule de dez”, como se diz em bets e casas de apostas (aliás, muito presentes no cotidiano político do Recife). Porém, denúncias de fraude em licitações públicas na construção de creches municipais e postos de saúde, a nomeação (depois desfeita) de um procurador do município desrespeitando normas do concurso público e tendo por beneficiário o filho de um desembargador estadual, além de disputas partidárias entre as siglas que poderiam apoiá-lo contra a tentativa de reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), têm potencial para segurá-lo na cadeira de prefeito.

A grande meta do PT de Pernambuco é reeleger Humberto Costa para um terceiro mandato no Senado e eleger dois deputados federais. Em 2022, o partido elegeu apenas um federal no estado onde nasceu o presidente Lula. Nas articulações prévias visando a campanha deste ano, quando ainda tinha gordura de popularidade para queimar, Campos ofereceu as duas vagas de senadores em sua chapa ao “Republicanos” do ministro Sylvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e ao “União Brasil” do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (do clã dos Coelho, Manda-Chuva dos sertões de Pernambuco e Bahia). Sem espaço para Humberto Costa na chapa majoritária, o PT rechaça quaisquer chances de aliança. Sem os petistas a apoiá-lo, Campos não será candidato a governador.

Com a popularidade em recuperação, Raquel Lyra convidou o PT para seu palanque. Assegurou uma das vagas ao Senado para Costa e reservou a outra para o deputado Dudu da Fonte, do PP, um dos mais articulados e hábeis parlamentares do estado no Congresso Nacional. Costa e Dudu se dão bem. O União Brasil está fraturado localmente, pois o deputado Mendonça Filho não aceita apoiar o prefeito da capital e é a mais antiga liderança da legenda no estado. Lyra chega até a cogitar o posto de vice-governador para Mendoncinha, ou mesmo propor a refiliação da atual vice, Priscila Krause (PSD), à sigla (o que seria o retorno dos Krause à árvore cuja raiz teve o pai de Priscila, Gustavo, como uma de suas grandes lideranças. O União Brasil derivou do PFL, que teve em Gustavo Krause um de seus fundadores).

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