A política do espetáculo

Estética ganha dimensão de poder e controle cultural para legitimar narrativa de Trump e seus asseclas

Preso à poltrona de um avião, Nicolás Maduro aparece algemado, vendado, com os ouvidos cobertos por um fone. Suas mãos apertam uma garrafa d’água de plástico, reforçando a ideia de fragilidade. Numa sala que simula um bunker, Donald Trump fixa a tela à sua frente com os olhos semicerrados. O semblante tenso dos homens que o cercam reforça o clima de suspense.

Em cortes feitos para viralizar, as cenas mostrando a humilhação do primeiro e a vitória do segundo reafirmam um modelo de gestão baseado no espetáculo da força bruta. No show de Trump, ele encarna o xerife, numa encenação de valentia em detrimento do trabalho burocrático e deliberativo de leis e instituições como o Congresso e as organizações multilaterais.

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