A fogueira, a manchete e o algoritmo

Uma antiga necessidade de vigilância se transformou em valor-notícia, mercadoria e métrica de engajamento

Antes de existirem jornais, telejornais, notificações no celular ou plataformas capazes de medir cada segundo de nossa atenção, o perigo já produzia histórias.

Ao redor do fogo, grupos humanos compartilhavam relatos sobre animais ameaçadores, conflitos, mortes, desaparecimentos, transgressões e acontecimentos sobrenaturais. Narrar o que havia ocorrido com alguém era uma maneira de advertir os demais. A história entretinha, mas também ensinava: indicava onde não ir, em quem não confiar, quais comportamentos poderiam provocar uma punição e como sobreviver a um mundo cercado de incertezas.

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