Carta ao Leitor — O bonde de São Januário

Entre malandros e otários, a saga do trabalhador que chacoalha em busca de direitos básicos

Em 1º de maio de 1940, pela primeira vez, o Dia do Trabalho no Brasil foi comemorado num campo de futebol – o estádio de São Januário, do Vasco da Gama, com as arquibancadas enfeitadas com bandeiras verde-amarelas e tomadas por 40 mil trabalhadores.

O presidente Getúlio Vargas (que governava sob a ditadura do Estado Novo) desfilou em carro aberto pelo gramado junto com ministros de Estado e o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal dom Sebastião Leme. À época, não existiam as lives (sequer havia televisão!), mas não pensem que a festa se limitou ao bairro São Cristóvão. Ela chegou aos quatro cantos do país graças às ondas do rádio. Tanto alarde tinha um bom motivo: naquele dia, Getúlio anunciara a criação do salário mínimo no Brasil.

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