As cenas da batalha campal ocorrida na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes, naquela tarde de 8 de janeiro de 2023, seguirão vivas na memória de todos os democratas brasileiros e na iconografia documental da política por gerações. Ao fim de quatro horas de peleja, a turba fanatizada por um misto de militares golpistas, civis recalcados e uma camarilha de políticos derrotados havia transposto as frágeis linhas de contenção formadas por policiais militares pensadamente esparsos e alcançado as sedes dos Três Poderes da República.
O Supremo Tribunal Federal, alvo preferencial da ira golpista em razão de ter sido heroico na defesa do Estado Democrático de Direito e ter contido os arreganhos incivis de três tentativas de golpes de Estado ocorridas entre 2021 e 2022, foi o primeiro a ser vandalizado. Invadiram o Salão Nobre e o plenário do STF depois de destruírem e atravessarem as enormes vidraças previstas por Oscar Niemeyer no projeto original de Brasília. A choldra acendeu focos dispersos de incêndio no carpete, roubou um dos cinco livros originais contendo a Constituição de 1988 assinada pelos integrantes da Assembleia Nacional Constituinte, rasgou togas e destruiu mobiliários. Um dos integrantes daquela massa amorfa que se dava ao desfrute dos líderes do levante antidemocrático defecou sobre uma mesa de trabalho na Corte.