Na noite de 6 de setembro de 2021, por volta de 21h, o ministro Luiz Fux, que naquele momento ocupava a presidência rotativa do Supremo Tribunal Federal, disparou dois telefonemas em sequência. Estava tenso. Gotas de suor frio podiam ser vistas pontilhando sua testa, sob a franja vasta penteada para trás na cabeleira que o tornou figura singular na “memeria” nacional. O primeiro telefonema foi para o general Iwao Matsuda, comandante militar do Planalto. O segundo, para o general Walter Braga Netto, ministro da Defesa.
Fux estava em seu gabinete na sede do STF. Assessores circundavam-no. Uma turba de bolsonaristas ensandecidos e eletrizados dirigia-se à sede da Corte Constitucional brasileira. Estavam a pé ou a bordo de caminhões cedidos por empresas do agronegócio, de tratores, de ônibus e de carros de passeio. Já tinham rompido dois de três bloqueios de segurança no Eixo Monumental da Esplanada dos Ministérios. Atendiam a convocações feitas, semanas a fio, a partir de discursos, lives e áudios hostis ao Congresso e aos ministros do Supremo. Aquelas convocações eram disparadas, sobretudo, por Jair Bolsonaro, então presidente da República, e por pessoas que ele ungia como aliados essenciais a seu projeto autocrático.