A jornalista Maria Amélia de Almeida Teles tinha 27 anos quando foi presa pela ditadura militar. Em 1972, ela foi levada à Operação Bandeirante (Oban), que atuou para aniquilar a oposição de esquerda, incluindo organizações guerrilheiras e partidos políticos. A Oban consolidou o método conhecido por “sequestro-tortura-execução”. Amelinha, à época, fazia parte do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e atuava num jornal clandestino que denunciava a ditadura.
Foram presos, junto com ela, o marido, César Augusto Teles, e um companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli, cujo assassinato foi testemunhado por Maria Amélia. A jornalista foi submetida a violências físicas e sexuais que, segundo seu depoimento, foram praticadas pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi de São Paulo – conhecido por ser ídolo do clã Bolsonaro, e chamado de “herói nacional” pelo próprio Jair. A crueldade era tamanha que a militante chegou a ser torturada na frente dos filhos, Janaína, de cinco anos, e Edson Luiz, que tinha quatro. Após as torturas, o corpo ficava coberto por hematomas, a ponto de ser questionada pela própria filha: “Mamãe, por que você está azul?”.