A maturidade democrática tem memória

Ao rejeitar transgressão política violenta, Brasil se apresenta como um laboratório para futuro antiautoritário

“Senhores juízes, quero renunciar expressamente a toda pretensão de originalidade para o meu encerramento. Quero utilizar uma frase que não me pertence, porque pertence a todo o povo. Senhores juízes… Nunca mais”.

Não se podia conter os gritos e aplausos no tribunal após o argumento final do promotor Julio César Strassera, no Julgamento das Juntas Militares. Foi a acusação que garantiu a condenação de líderes da sangrenta ditadura militar argentina, incluindo ex-presidentes. Ali, a poucos metros dos algozes, foi proferido um discurso apaixonado numa cena que, décadas mais tarde, seria imortalizada no filme “Argentina, 1985” pelo ator Ricardo Darín.

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