O silêncio depois da festa

Derrotamos um homem, mas não o projeto que ele representava

Não sou eu quem vai dizer para você não comemorar. Comemora, celebre, festeje. Esteja com os seus, beije, abrace, beba, dance. A prisão de Jair Bolsonaro e da escumalha militar que o cercou na tentativa de golpe de Estado que vimos fermentar, de forma continuada entre 2018 e 2023, é certamente um momento histórico no Brasil. Ver generais quatro estrelas julgados e condenados em um tribunal civil reforça a dimensão do que vivemos. É, sim, um feito histórico.

Passada a festa, é hora de entender onde estamos. A família Bolsonaro foi mais do que um acidente político: foi a fagulha que incendiou a extrema direita no Brasil, organizando ressentimentos difusos em torno de uma liderança populista e autoritária. Jair, Flávio, Eduardo e Carlos ocuparam diferentes trincheiras — o parlamento, as redes sociais, as relações internacionais, a retórica da violência — e deram coesão a um projeto que parecia improvável em 2014, mas que, em 2018, se impôs como hegemônico.

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