De ratos e urubus

Como evitar, nos tempos presente e futuro, tragédias como as que vivemos?

No centro do palco, altar da insanidade, um homem de pé, em silêncio. Ele olha, como se estivesse em transe, para um ponto fixo, distante. Era o dia 30 de outubro de 2018. Dois dias antes, aquele homem, Jair, havia sido escolhido, em segundo turno, pelos votos de quase 58 milhões de brasileiros, para ser presidente da República por um mandato de quatro anos.

Ao seu lado apontando-lhe o dedo, diante da plateia estupefata, bradava um pastor que ali estava o novo Messias, ungido pela vontade de Deus para conduzir a nação a uma nova Canaã, um reino de paz, de justiça e de liberdade. O eleito seria um predestinado – não por acaso, trazia até “Messias” em seu nome. O pastor, Silas Malafaia, ancorava-se nas palavras da Primeira Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo 1º, versículo 27, na qual está escrito que “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”.

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