A anulação do resgate de Sônia Maria e como e por que escrevi ‘Solitária’

Uma enxurrada de casos semelhantes inunda as mentes e os espíritos cansados de tanta morte em vida

Era uma vez uma menina negra chamada Sônia Maria de Jesus, que, em 1972, foi trabalhar na casa de Jorge Luiz de Borba, hoje desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), em Florianópolis. Sônia não recebia salário, férias, benefícios. Ela não tinha carteira assinada e muito menos acesso à educação formal.

Isolada da família, com perda auditiva bilateral e cegueira parcial, cresceu sem aprender a linguagem de Libras. Sônia passou 42 anos na casa do desembargador e, após denúncias, foi resgatada em 2023, pois toda essa situação tem nome: trabalho análogo à escravidão.

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