Há uma diferença essencial, nada sutil, entre dar espaço político ou conceder poder a alguém. O espaço se empresta. O poder se transfere (e raramente volta para a origem). Foi a partir dessa distinção que qualquer MasterChef de operações de lobby em Brasília, com ao menos trinta anos de ofício, soube recitar de cor que se ergueu e depois degenerou o centrão. O grupo de operadores do poder é a mais duradoura e também a mais perigosa e complexa engrenagem da política brasileira pós-ditadura militar.
O centrão, como o conhecemos hoje, é uma mixórdia gelatinosa que finge governabilidade, mas pratica extorsão orçamentária; se veste de centro, mas não tem programa nem pudor; não tem o mesmo DNA do núcleo parlamentar nascido com o nome idêntico durante a Assembleia Nacional Constituinte em 1987.