O argumento apresentado neste artigo é que os retrocessos democráticos resultam da conjugação de três forças. A primeira delas é o avanço da culturalização do neoliberalismo. Há também a formação de um movimento de extrema-direita, formado por pessoas das mais variadas vertentes do protestantismo, chamados, de forma genérica, de evangélicos, além de pessoas pertencentes à tradição espírita e do catolicismo católico apostólico romano. A terceira força do retrocesso democrático é a erosão da democracia liberal, que se expressa na defesa de bandeiras anti-igualitárias e também no descrédito em relação à própria ideia de democracia.
Por outro lado, a crise das democracias apresenta três dimensões. A primeira é a dimensão econômica, reforçada pela profunda desigualdade entre ricos e pobres e pela resistência à implementação de políticas públicas que poderiam contribuir para alterar a escandalosa concentração de renda existente no país. Já a dimensão política é identificada no descrédito em relação às instituições e no surgimento de lideranças demagogas e autoritárias. Por fim, a dimensão social se manifesta no aumento de intolerâncias, racismo, misoginia e disseminação de discursos de ódio.