Matança dá voto na era dos likes

Governador tenta tirar máximo proveito político de cenas absurdas de violência no RJ

Cláudio Castro está todo prosa. Do alto de uma pilha de mais de 120 caixões – quatro deles de policiais –, o governador do Rio de Janeiro se sente empoderado por mais uma chacina. Fala grosso e até se aventurou, entre uma gaguejada e outra, a lançar um recado em forma de slogan de campanha. A frase, eficiente e abjeta ao mesmo tempo, mirava o governo federal: “Ou soma {com a matança} ou suma”.

É difícil imaginar que a máxima seja fruto de um surto de criatividade e tino político do governador do Rio, que possui a oratória e o carisma de uma estante. Parece mais obra de marqueteiros, que tentam tirar o máximo proveito político das cenas absurdas que o Rio de Janeiro vivencia desde a última terça-feira (28/10). Até a manhã de sexta-feira (31/10), Castro já tinha triplicado seu número de seguidores nas redes sociais. Ganhou mais de 800 mil deles desde que os tiros começaram.

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