No dia 9/8, celebrou-se o Dia dos Pais. Constatamos, no entanto, que uma onda de crises que assolam a sociedade (pelo menos, a ocidental) não poupou a figura paterna. A justa crítica das feministas ao patriarcado e ao machismo e o estabelecimento científico da existência de uma era matriarcal, há 20 mil anos, caracterizada por uma profunda integração com a natureza e por uma intensa espiritualidade, ajudaram a pôr em xeque a pretensa primazia do homem e do pai. As reflexões das mulheres sobre sua própria identidade e a expressiva presença delas em todos os âmbitos da sociedade, junto com a crítica ao poderio patriarcal, aprofundaram a crise da representação do pai.
A complexa divisão do trabalho nas sociedades modernas dilacerou, em parte, os laços familiares, afetando especialmente a figura do pai. Este vai ao trabalho e, não raro, nem tempo tem para marcar presença junto à esposa e aos filhos e filhas. Por estas razões, alguns estudiosos falam do eclipse da figura do pai. Um autor alemão, A. Mitscherlich, escreveu um discutido livro: Rumo a Uma Sociedade Sem Pai (1963). Passa-se do pai ao grupo de amigos. A tradição psicanalítica de S. Freud, C. G. Jung e de outros deu centralidade à função do pai no desenvolvimento psicológico de filhos e filhas.