A história da crítica radical contemporânea deve grande parte de sua fundação conceitual a uma coincidência temporal e ideológica: a breve contemporaneidade entre Karl Marx (1818/1883) e Sigmund Freud (1856/1939). Ambos “escritores” de língua alemã e parte da intelligentsia judaica, tornaram-se os pilares do que o filósofo Paul Ricoeur denominou “Mestres da Suspeita”.
A convergência fundamental desses pensadores reside na demolição da premissa cartesiana que equiparava sentido à consciência do sentido. Para eles, a consciência é, essencialmente, falsa consciência. Marx, através do “materialismo histórico”, desvendou a ideologia como a superestrutura distorcida, resultante das relações materiais de poder e exploração socioeconômica. A hipocrisia da sociedade burguesa não era vista como um mero lapso moral, mas como uma necessidade estrutural para a manutenção da exploração.